Degas
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06-11-2017
Que nervoso. Que caos. Que vazio. Que difícil. Que pesado. São tantos de tantos que não sei escrever o quanto eu quero me livrar dessas palavras.
Você perguntou se pode?
Acredito que todos saibam que eu trabalho com educação. Caso não tenha me feito clara, sim eu trabalho com educação. Todos os dias, de segunda sexta, com pequeninos que nem linguagem verbal adquiriram. Mas por quê eu estou falando disso?
Pelo menos 10 vezes ao dia, eu interfiro em diversas relações dos meus pequenos com a seguinte frase : “você perguntou se pode?” - Nossa, mas que contexto autoritário que fica essa frase não é mesmo? Claro que não é desta forma, mas para relacionar com o que eu gostaria agora, fica assim.
Pode o que, afinal?
Percebo que dentro das relações que os pequenos vão construindo, o limite do outro é tão flexível e maleável, que supera a rigidez das nossas vontades. Tenho vontade de abraçar, abraço. E logo invado o espaço e corpo do outro. Tenho vontade daquele brinquedo específico? Pego, ou no caso deles, arranco da mão. E será que eu posso? E se é bom, eu devo impedir? (bom para quem?)
Então é ai que eu queria chegar. (se é que cheguei) Eu posso? Eu perguntei ao outro se podia? ao menos considerei a existência e/ou vontade desse outro perante a minha?
Aos que não sabem também, eu sou uma pessoa que luta por espaços. Bom, isso talvez só meu terapeuta saiba, mas então abro aqui, eu luto por espaços. Espaços que são meus, mas eu sinto que não são. Por que a verdade do outro sempre foi maior que a minha. A vontade também. E logo comecei a construir que eu no meu lugar atrapalhava. E no lugar do outro também. Então qual é o meu lugar?
Enfrento agora esse lugar de lutar pelos meus lugares, e ser altamente violentada quando eles não são respeitados. Quando entram no meu quarto. Quando pegam minhas coisas. Quando encostam no meu corpo. São cadeias tão extensas e tão cruzadas que levam sempre ao mesmo ponto. VOCÊ PERGUNTOU SE PODE? Assume-se então essa posição de que se pode para mim, pode para o outro também. E as vezes não é nem isso, as vezes é “Não pode para mim mas pode para o outro.” VÊ SE PODE ISSO. Não pode não.
E desde pequenos vamos fazendo isso, empurrando os limites. Flexibilizando as barreiras. Forçando a barra do outro. E ai, pode fazer isso? O outro quer isso? Quem é que vai nos mostrar esses limites tão importantes de integridade do outro e de nós mesmos?
Isso é um desabafo, por que eu quero saber a resposta para essas perguntas.
Aos meus 26
Aos meus 26 que estão chegando devagar, e tudo de repente. Calma. Já chegamos até aqui. E já passou tudo aquilo que você queria correr para passar, não há o que nem porquê resgatar.
Estamos misturadas, o eu de hoje, e o eu de amanhã. Somos a mesma. E somos sendo. Construindo essa união. Na quarta, fui comemorar tudo aquilo que há muito tempo não comemorava. A vida, a juventude, a alegria, a música, a noite. Há noite. Que delicia foi olhar para o céu e me lembrar o quanto eu amo a noite. Amo, sem restrições ou medos. Amo mesmo. E tinha me esquecido nesses últimos anos o quanto eu gostava. E só redescobri por que depois de muito tempo percebi que de labareda, virei carvão. Quarta feira, me reacendi. Iniciei a pequena faísca de memoria, gozo de se estar só comigo mesma. Eu não estava só, é verdade. Mas estava. Solitária, no silêncio, me esforçando para viver tudo aquilo que eu tinha expectativas. (E tudo o que pensava era STOP TRYING) e agora aos 26 que chegam, eu repito o pensamento que me inundou… pare de tentar. Apenas pare.
Pare e siga sendo. Eu tentei me divertir ao seu lado marrento, que é seu e é meu. Eu tentei fingir que você não estava me destratando nesse silêncio, que é seu e é meu. Eu tentei demais aproveitar a noite que me custou um dinheiro que eu não tinha, meu e seu. Eu tentei.
E amanhã, é amanhã; Estaremos nós duas aqui, se olhando frente a frente. A de 25 e a de 26. Até logo 25, foi uma fase deliciosa, e como você cresceu.
Desabrochando e florescendo em todos os aspectos, e restaurando a doçura que lhe pertence. Quanto aos outros problemas, pare de tentar. Eles continuarão aqui, e eles não são seus. Não se atrele a eles.
Date someone who is a home and an adventure all at once.
Es que desde que era pequeña nadie me quiso… Siempre era rechazada, usada y dejada atrás, porque mierda ahora tendría que ser diferente? Si crecí sintiendo el rechazo de todos… Crecí sintiendo como nadie me quería.


