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100 coisas para fazer antes de morrer - versão 2023 - ou 100 coisas para fazer quando eu ficar

Essa lista é uma re-re-re-atualização (por que o tumblr cancelou a primeira escrita) de todos os meus desejos, por mais absurdos e pequenos que sejam, de fazer antes de morrer. (seja essa morte literal ou simbólica)

1-Tomar vacina covid19.

2-Voltar a viajar de avião.

3-Comprar (ALUGAR) uma casa espaçosa o suficiente para ficar isolada se necessário.

4-Ficar magra de novo.

5-Viajar para a Disney com a Anne e o Julio.

6-Visitar Thomas Family todo ano.

7-Morar na Europa sem me preocupar com muito.

8- Ter um casamento dos sonhos, com declaração, pedidos emocionantes, festa, e vestido de noiva.

9-Fazer muitos cursos de Psicanálise. Inclusive em outros países.

10-Aprender a falar espanhol, francês e alemão (talvez alemão não… veremos)

11-Morar perto do meu trabalho.

12-Dançar semanalmente.

13-Ajudar minha mãe a ter a própria casa dela onde ela quiser.

14-Ter almoços de domingo em família quinzenais.

15-Sempre lembrar de cuidar de mim.

16-Ter um divã na minha casa.

17-Ter um filho em algum momento da vida.

18- Conhecer mais de mim.

19-Aprender a cantar.

20-Escrever um livro com todas as coisas - ou parte das coisas - que se passam na minha cabeça.

21-Ser segura de mim.

22- Ter meus irmãos por perto sempre.

23-Comprar um quadro do Gui.

24-Conhecer pessoalmente o Rubel.

25- Ir num show do caetano veloso.

26- Ver o MychemicalRomance de novo, e me vestir de emo, é claro.

27- Celebrar todos os meus aniversários. Sempre.

28- Aprender a correr e gostar disso.

29- Me vestir com menos roupas doadas.

30-Ter orgulho dos meus perrengues.

31- Não me deixar adoecer por mais ninguém.

32- Aprender a falar não. Para os outros e para mim.

33- Ter rotina com as minhas leituras, e não ficar me distraindo com tudo.

34-Não deixar nunca de fazer análise.

35-Buscar fazer amigos bacanas. (não sacanas)

36-Ter meu “próprio” protagonismo na minha vida (complexo não?).

37-Dar palestras na PUC sobre infância e práticas de cuidado e educação.

38-Voltar a trabalhar em escola como Orientadora educacional.

39-Ler as obras de Lacan e entender alguma coisa (tem a vida toda né, já dizia meu analista)

40-Viajar de carro pelos países. Primeiro pelo Brasil. Depois pelos Estados Unidos. Depois França. Depois Espanha…

41- Visitar Cuba por 1 mês.

42- Sempre que eu for em algum lugar, provar um pedaço de torta cheesecake.

43-Fazer um livro de receitas minhas.

44-Não sentir mais culpa em sentir as coisas.

45- Tatuar a Capitu para eu nunca esquecer dela e do quanto ela me faz bem.

46- Nunca mais me deixar sentir pequena.

47- Ser fotografada em fotos que eu me sinta bonita.

47.2 - Ser fotografada para ter registros meus.

48- Pular de asa delta.

49- Retribuir sempre o acolhimento que eu recebo da vida.

50-Não tomar mais refrigerante.

51- Fumar só para me fazer charmosa, nada além disso.

52- Me apaixonar pela vida e ter vontade de ficar com ela.

53- “sempre desobedecer, nunca reverenciar”

54- Não esquecer de quem eu sou, mas não ficar lembrando o tempo todo do que eu fui.

55- Conhecer a Torre Eiffel iluminada.

56- Ilustrar um livro infantil.

57- Escrever um livro infantil!

58-Guardar sempre metade do meu salário para eventuais desgraças.

59- Aprender sobre plantas medicinais

60- Aprender sobre cosméticos naturais.

61- Eventualmente ter um carro, ou dinheiro o suficiente para alugar carros.

62- visitar o egito, a grécia e roma.

63- Mergulhar no oceano índico.

64- Fazer uma viagem em alto-mar num navio seguro, claro.

65-Me tornar professora da PUC.

66-Trabalhar numa cafeteria na bélgica. (queria dizer frança, mas me senti repetitiva nessa lista)

67-Ter uma escola de educação básica e integral.

68- Brigar sempre pelo que acredito, mas ouvir sempre.

69- Visitar a Verinha.

70-Ter uma biblioteca em casa, com estantes altas e cheias - e ter lido todos os livros!

71-Ver meu irmão crescer e ser feliz.

72-Ver a minha irmã bem e segura sempre.

73-Ter muitos gatos peludos - adotados, claro.

74-Ser uma psicóloga com acessibilidade, acolhimento e afeto sempre.

75- Aproveitar os dias de sol sempre que possíveis. E colocar os pés na grama.

76- Me aventurar.

77-Morar num lugar sem barulho de carro.

78- Aprender a dormir cedo, e deixar as madrugadas para outras aventuras que não a ansiedade mental.

79- Cuidar dos meus pés.

80- Ver NEVE! Me jogar de costas na neve, e sentir o peso do meu corpo e o gelo se fundindo.

81- Ser conhecida por fazer “comida de mãe”

82- Sempre estar cheirosa.

83- Ter autonomia afetiva, psicológica, e financeira para ter meus momentos de solidão.

84- Ter um Gurgel.

85- Nunca deixar me convencer que minha juventude passou, e com ela minha possibilidade de viver uma vida feliz.

86- Quero saber identificar os momentos que pedem um bom café ou um bom vinho.

87- Fazer Mergulho

88- Andar sem sentir medo ou que eu estou devendo alguma coisa ou explicação para alguém.

89- Não deixar meus sonhos serem só sonhos.

90- Se eu puder ter um filho, quero ensinar e viver o melhor da vida com ele.

91- Conseguir cruzar as pernas.

92- Vestir minhas roupas favoritas e me sentir bem nelas.

93- Se eu tiver uma casa só minha, ter um sistema de ventilação nela.

94- Ter a minha própria horta.

95-Se eu tiver uma casa bem grande, quero resgatar gatinhos.

96- Não precisar ficar tanto tempo numa tela.

97- Descobrir coisas novas sobre mim e sobre as pessoas que eu amo sempre, e poder gostar disso.

98- Comer apenas para calar o estômago, não a alma.

99- Deixar minha marca no mundo.

100- Continuar desejando sempre.

Querido Paulo

Sonhar com você é sempre desesperador. Essa palavra agrega tanto significado, que não consigo descascar essa quantidade de camadas. Talvez por que eu pulei um dia do remédio, talvez por que eu esteja dormindo mal, talvez por que seu aniversário é amanhã, talvez por que eu sinto sua falta.
Não sei dizer nem colocar em tantas palavras. No meu sonho pensava até que o Rubel fazia uma canção para mim, pensando em você.
Fui notando que eu não sei bem os caminhos do amor, por que raramente fui amada. Você me deu um sabor de algo curioso que eu ainda não sei distinguir. Algo que eu conhecia e desconhecia, paradoxalmente.
Me lembro de poucas coisas desse sonho. Me lembro dos teus olhos me fitando com carinho, ciúmes, amor e até manipulação. E eu me deixando ir, levinha nos teus braços. Lembro de desdenhar você para me defender disso, e querer tanto que você me abraçasse. Lembro de perceber que você sentia minha falta, mas não o suficiente para me buscar. Num determinado momento, você me abraçou. Pequeno e quente, encaixado numa saudade imensa. Me senti derretida, escapando pelas frestas das linhas que nos separavam. Atrás de mim tinha um céu azul lindo, como uma pintura renascentista, e você me olhava de baixo. Como se eu fosse um anjo.
Mas eu não era eu nesse reflexo. Era uma mulher asiática, de cabelos negros, e olhos furtivos. Talvez tenha deslocado para uma personagem qualquer da força que eu sinto ter e não vejo.
Você pedia um retrato meu, e nas diversas tentativas eu via o que você estava vendo. E não era bem eu.

O sonho acabava ai, ou é até onde me lembro.
Acordei com uma sensação estranha, pensando que gostaria de te mandar felicitações amanhã e que eu sempre penso em você. Que vou ao Rio em breve, e quero cruzar com você, mesmo sabendo e tendo certeza que tudo acabou.

Percebo agora Paulo, que apesar de toda saudade e carinho que tenho por você, amadureci. Não quero nada menos do que aquilo que já posso me dar. E que se vier, que seja leve e divertido, como você, sua risadinha, e todos os seus problemas que me fascinavam.
Ainda acho que nosso encontro foi raro, e uma pena que esgotou tão rápido pelo desespero desenfreado de nós dois.
Queria que você soubesse Paulinho que, ontem sonhei com você. E fico feliz de te preservar assim nas miudezas da minha vida. Espero que você esteja me preservando por ai também. Ou não.

Querido Paulo

Acordei suada pela manhã depois de sonhar com você. Era a casa do meu pai, e depois virava a sua casa da fazenda no Rio. A primeira cena, uma grande angustia, era a reprodução desse término que eu não sei dizer bem. Eu me lembro de abrir minha gavetas da cômoda de criança que eu tinha e ensaiar fazer uma mala. Eu estava partindo.
Mas partindo para onde?
Você estava no então meu quarto, com a Laura. A Laura esteve nesse sonho, nessa porção de sonho, o tempo todo. Me olhava com dureza, e dizia saber que tudo tinha acabado. Quase como se eu não tivesse direito de chegar perto dos afetos.
Na outra parte, quando tudo vira fazenda, e eu parto para qualquer lugar, tem uma série de mulheres (feias é bem verdade) com vestidos de festa se aprumando para um casamento. Era talvez o casamento do seu primo, ou de alguém da sua família. Essas mulheres estavam disponíveis para você ter alguém para levar no casamento, como se fossem garotas de luxo.
Me lembro de dar uma certa angústia, por que eu tinha que partir e não te achava em lugar nenhum, ou tinha medo. Decido então voltar e vestir um vestido vermelho de brilhos, aquele que eu te mandei a foto.
Um salto branco. Mas me lembro de não ter depilado as pernas, e ainda assim, bancar de qualquer forma. Eu ia embora. Eu sabia que eu era bonita, e a mais bonita.

Bato na porta de um quarto, e tem uma cama gigante cheia de pessoas. São todos os seus primos e irmãos,e eu te chamo timidamente. Você não escuta.
Um primo seu pergunta o que eu quero, e entre o batente eu digo que quero dar tchau para você.
Alguém solta uma frase do tipo “ Que Burrice, Paulo!”
Alguém também diz que você não está bem, que anda preocupado demais com dinheiro, e que voltou diferente de Nova Iorque. Fiquei balançada.
Vejo você levantando e me olhando na porta, e ensaiando vir se despedir, mas eu vou. Eu vou e acordo com o coração acelerado e dilacerado de saudades.

Queria te mandar uma mensagem e pensei “Que absurdo! , ele não quer, respeita!”
E apesar de entrar na discussão do desejo, Paulo, eu sou obediente. Obediente e amorosa. Talvez essas não sejam as melhores qualidades para alguém ter, e quero acreditar que apesar de obediente, eu sou ambiciosa e persistente.

De qualquer forma Paulinho, te escrevo aqui o que me inunda e me afoga. Queria te ligar e dizer que estou morrendo de saudades. Morrendo mesmo.
To com saudades desse sotaque fajuto, do jeito que você fala “ é uma graça” e da sua risada estranha. Tô com saudades das suas manias absurdas, do jeito que você é neurótico, mas principalmente do abraço que parece sem qualquer esforço para encaixar.


Nosso encontro foi Raro, como você disse algumas vezes. E eu concordo. Me sentia bêbada ao seu lado, como se estivesse hipnotizada por absolutamente tudo que me cerca. Me pego segurando as poucas memórias que vivi ao seu lado, e tento me desprender dessa angústia que consome. Sonho com o momento que você te ver de novo, ao acaso, e sei que não vai acontecer.

Acabou e é isso. E as histéricas sofrem de reminiscencias.